Duas entidades empresariais e uma disputa que vale milhões.
Presidido pelo empresário Beto Barreiros, o Conselho Estadual da Confederação Nacional do Turismo (CNTur) luta para assumir a gestão do dinheiro recolhido das empresas do setor.
Somente no Estado, são R$ 66 milhões que vão para a Federação do Comércio de Bens, de Serviço e de Turismo (Fecomércio-SC). A reclamação é que ela recolhe dinheiro do turismo, mas não devolve benefícios.
Barreiros diz que, todo mês, 2,5% da folha de pagamento são revertidos à Fecomércio, mas reclama que, quando procura um treinamento para os funcionários, é preciso pagar. Ele conta que, na lista de cursos programados para este ano, em 11 páginas, não há cursos gratuitos.
A intenção da CNTur é criar um Sistema S próprio – como ocorre no comércio, onde Sesc e Senac dividem as tarefas de treinar e oferecer lazer aos empregados (veja quadro).
No caso do turismo, seriam criados o Senatur e o Sestur. O presidente estadual do CNTur alerta que há um apagão de mão de obra no setor. E que, enquanto a situação se agrava, a Fecomércio pega o dinheiro recolhido e pulveriza. Barreiros se queixa também que o Sistema S gerenciado pela Fecomércio usou valores arrecadados para competir com as empresas que sustentam o sistema. Citou a rede hoteleira criada pelo Senac.
- Sempre fomos mal representados pela Fecomércio - protesta.
Os empresários do turismo começaram a se organizar em 2009, quando a Confederação Nacional do Turismo foi reconhecida pelo Ministério do Trabalho. O primeiro Estado a montar um conselho foi SC. Um projeto de lei no Congresso contempla as reivindicações da área. O presidente do Conselho Estadual diz que a Confederação Nacional do Comércio faz um lobby poderoso contra a proposta.
No primeiro momento, o presidente da Fecomércio catarinense, Bruno Breithaupt, não quis comentar as queixas da CNTur, dizendo ser um caso liquidado. Mas a diretoria da Fecomércio acabou se manifestando. Em nota, garantiu que é a legítima representante do segmento desde a sua criação. E afirmou que incentiva e investe na qualificação da mão de obra, pesquisas, estatísticas, programas de lazer e de negócios.
A nota citou a estrutura nacional do Senac e do Sesc, listou os cursos existentes, as cidades presentes, mas não especificou quais são oferecidos no Estado. No último parágrafo, a entidade aponta que os recursos aplicados revertem, sim, em benefícios ao setor de turismo.
A Confederação Nacional do Comércio também foi procurada pela reportagem, mas não retornou.
Fonte: Diário Catarinense
Postar um comentário